Como estudar para o ENAC: plano de 90 dias guiado pelos 60 acertos
Plano de 90 dias para o ENAC, o Exame Nacional dos Cartórios: diagnóstico, 60% do tempo em Notarial e Registral, simulados e revisão de erros.
Você tem 90 dias até o ENAC e ainda não sabe por onde começar. Dá tempo? Menos por sorte e mais por uma decisão: parar de estudar tudo na mesma proporção e começar pela disciplina que decide a prova. O edital público diz onde estão os pontos. As 100 questões, aplicadas pela FGV em 5 horas, reservam 60 para Direito Notarial e Registral. Um plano de 90 dias que ignora esse número está pagando caro para estudar errado.
Este texto não promete aprovação. O ENAC tem corte objetivo e eliminatório, não classificatório: você precisa ultrapassar 60 acertos na ampla concorrência, ou 50 nas cotas. O que dá para prometer é um método realista de usar 90 dias, com diagnóstico, prioridade por distribuição, simulado completo e revisão dos erros. O resto é execução sua.
Comece pelo diagnóstico, não pelo material
Antes de assinar curso ou montar cronograma, meça o ponto de partida. Faça um simulado completo com as 100 questões oficiais de uma edição anterior, no mesmo tempo de 5 horas, e anote os acertos por disciplina. As provas e os gabaritos oficiais estão no portal da FGV do 3º ENAC, e é esse o único material que vale como termômetro no dia 1.
O diagnóstico responde a três perguntas:
- Em quais disciplinas você está abaixo de 50% hoje?
- Onde estão concentrados os acertos que você já tem?
- Quanto do seu tempo atual vai para as 60 questões de notarial e registral?
Guarde os números. O simulado do dia 1 e o da semana 12 serão comparados no fim. Essa diferença mostra se o plano funcionou ou se precisa de ajuste no meio do caminho.
A distribuição oficial como mapa do tempo
A divisão das 100 questões está no edital 2026.2:
- Direito Notarial e Registral: 60
- Direito Civil: 14
- Direito Constitucional: 8
- Direito Administrativo, Tributário e Empresarial: 4 cada
- Direito Processual Civil: 2
- Penal, Processual Penal, do Trabalho e Processual do Trabalho: 1 cada
O recado é direto: seis de cada dez questões vêm de um único eixo. Quem divide o tempo em partes iguais entre dez disciplinas aposta contra a prova. Quem coloca perto de 60% do tempo em notarial e registral estuda como a banca cobra. Não é opinião, é a aritmética do edital. A lógica de cada bloco está explicada em o que cai no ENAC.
A regra dos 90 dias também organiza o estudo
O edital traz uma regra de recorte temporal: diploma normativo que entrou em vigor nos 90 dias anteriores à prova não cai. Há uma ressalva: norma revogada dentro desse mesmo intervalo ainda pode ser cobrada. Dois efeitos práticos. Primeiro, não gaste a semana perseguindo toda alteração recém-vigente. Segundo, não descarte automaticamente uma norma só porque ela foi revogada perto da prova.
Antes de incluir qualquer atualização, conte 90 dias para trás a partir da prova, e não confunda publicação com vigência: é a vigência que conta.
Bloco 1, dias 1 a 30: base e a primeira rodada do eixo principal
O primeiro mês constrói a base de Direito Notarial e Registral, que concentra 60 questões. Comece pela estrutura: a Lei 8.935/1994, que trata dos serviços notariais e registrais, a Lei 6.015/1973, dos registros públicos, e o art. 236 da Constituição, que condiciona o ingresso a concurso. O objetivo aqui não é decorar, é entender os conceitos que a FGV usa para montar casos: publicidade, autenticidade, segurança e eficácia dos atos, fé pública, delegação.
Neste bloco, trabalhe em ciclos curtos: um tópico e questões sobre ele no mesmo dia. Sem bater meta, não avance. A repetição com feedback imediato é o que transforma leitura em acerto.
Reserve também um espaço pequeno para Direito Civil básico, porque ele sustenta registro de imóveis e registro civil. Contratos, obrigações, família, sucessões e direitos reais conversam direto com o eixo principal.
Bloco 2, dias 31 a 60: civil e constitucional em paralelo
Com a base de notarial e registral montada, o segundo mês aprofunda as outras duas disciplinas de peso. Direito Civil, com 14 questões, é a segunda maior fatia e pede estudo sério, não revisão de passagem. Direito Constitucional, com 8, concentra-se em organização do Estado, direitos fundamentais e no art. 236 da Constituição.
A chave do mês é não abandonar o eixo principal. A maior fatia do tempo segue em notarial e registral, agora em revisões e questões, enquanto civil e constitucional avançam em paralelo. As disciplinas pequenas, administrativo, tributário e empresarial, entram aqui só pelo essencial, sem aprofundamento: atos e poderes administrativos, ITBI e ITCMD, sociedades e títulos de crédito.
Bloco 3, dias 61 a 90: simulado completo e revisão de erros
O último mês pertence ao treino no formato oficial. Faça pelo menos dois simulados completos, com 100 questões e 5 horas, em ambiente de prova e sem consulta. A FGV cobra caso concreto com cinco alternativas e distratores sutis, então o simulado não serve para "ver quanto você sabe", serve para treinar leitura, tempo e decisão sob pressão.
Depois de cada simulado, gaste mais tempo com os erros do que com os acertos. Para cada questão errada, responda a três coisas: qual norma estava por trás, por que a alternativa errada enganou e o que você faria diferente. Esse caderno de erros é o material mais valioso dos 90 dias. Repita os tópicos que concentram seus erros antes da prova.
Erros comuns que custam a habilitação
- Estudar por igual as dez disciplinas, contra a distribuição da prova.
- Fazer simulados só no fim, quando já não há tempo de corrigir o rumo.
- Revisar sem refazer as questões que você errou.
- Perseguir norma recém-publicada que está fora dos 90 dias.
- Trocar o treino com questões oficiais por apostila sem fim.
Todos esses erros têm a mesma raiz: tratar o ENAC como um concurso comum, quando ele é uma prova de corte com distribuição conhecida.
Como medir se o plano está funcionando
Plano de estudo sem medição vira sensação. Três números dizem, no meio do caminho, se o método está rendendo ou se o cronograma precisa de ajuste.
O primeiro é o acerto no eixo principal. Se, na semana 6, você ainda não passa de 60% nas questões de Notarial e Registral, o problema não é falta de horas: é o formato do estudo. Troque leitura por ciclo curto de tópico mais questões no mesmo dia.
O segundo é a taxa de erro repetido. Marque, no caderno de erros, quantas questões você errou pelo mesmo motivo de antes. Erro novo indica avanço de conteúdo; erro repetido indica revisão que não aconteceu.
O terceiro é o tempo por questão no simulado. A FGV escreve enunciados longos, e 100 questões em 5 horas dão 3 minutos por questão. Quem termina o simulado com meia hora sobrando costuma estar lendo rápido demais o caso concreto, que é onde a banca esconde o detalhe que decide a alternativa.
Onde conferir a norma antes de estudar
Material de curso envelhece, e no direito notarial ele envelhece rápido. Antes de fixar qualquer regra, confira o texto na fonte. Os atos do CNJ ficam no repositório oficial de normas, em atos.cnj.jus.br, e as leis federais no Planalto. A página de cada ato do CNJ traz o campo de alterações, que é onde aparece a resolução mais recente que mexeu no texto.
Olhe esse campo sempre que estudar inventário, divórcio ou apostilamento. A Resolução CNJ 35/2007 foi alterada em 2024 e de novo em 2026: quem estudou por resumo antigo guardou regra que já não vale.
Para começar hoje
O plano só começa quando você faz o diagnóstico. Escolha uma edição anterior, reserve 5 horas, resolva as 100 questões e anote os acertos por disciplina. Com esse número em mãos, divida o tempo pelos três blocos acima e ajuste o peso conforme o que o diagnóstico revelar.
Para escolher um método de treino com questões ancoradas em fonte oficial e acompanhamento de erros, veja como avaliar um curso para o ENAC. O essencial não é o curso: é começar o diagnóstico hoje.
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